Incrível como o tempo atravessa meses, dias e décadas sem se arrastar. Enquanto todos sabemos como as horas, costumam durar uma vida.
Foi assim que experimentei minha leitura do penúltimo livro da nobre Virgínia Woolf. Faz uns oito anos, lá pelos idos, ou melhor pelas vésperas de mil novecentos e dois mil e cinco que um amigo me emprestou aquele que considerava o seu livro de cabeceira. Na verdade, este livro era pra ele um grande achado, de uma magia imensa, que provavelmente resumia senão tudo, muitas das coisas que ele queria dizer quando punha uma idéia por escrito. E afinal, pôr uma idéia em palavras é talvez a tarefa mais difícil e desumana que Eu já me permiti. Pois acredito que até a fala, a arte da fala, pode ser mais simples e menos rígida do que a arte de pensar, formalar e sintetizar um emaranhado de sentimentos e pontos de vista.
Acontece que a leitura deste livro me pareceu horrível. Por sete ano, Rumo ao Farol ficou ali escondido na minha estante. Um tanto por causa da capa plástica que apesar de todo o cuidado não consegui conservar, outro tanto porquê minha experiência ao passar pelas primeiras 85 páginas, das modestas 225 do livro, pouca ou nenhuma satisfação foi sentida por mim naquela trama que se alongava infinitamente ao longo de um único dia. Ou uma única tarde, já não me lembro. Se é que havia a intenção da autora para que percebêssemos isso. Talvez não. O importante não era isso.
"'Quase tudo aquilo que é dito', constatou sobre o romance o grande crítico Erich Auerbach, 'é reflexão na coinsciência dos personagens'", já nos avisa uma nota na contracapa. Recurso perceptível já primeira meia-hora de leitura. Mas sobre isso não vamos nos estender, afinal, espero que todos estejam tão cansados quanto eu dos releases bem-humorados e redundantes, que as vezes até tiram um sarro dessa nobre arte de condensar o óbvio que só os bons redatores e revisores conseguem. Aliás, se me julgasse mais capacitado à escrita, até o faria, mas, reconheço como é raro o talento para se condensar e reproduzir informação com os prazos apertados que nossos profissionais de comunicação têm.
Ao mesmo tempo... acho isso aqui já merece 3.0 pontos só por não ter citado até agora aquele mesmo Você sabia? de sempre sobre o Stream of Conscience, que todo entusiasta do modernismo literário no 2º período não consegue fugir. Nem atravessar.
Mas a história, que em três capítulos (e sobre simultâneos pontos de vista) conta; a vida, a morte, e a sobre-vida, de uma populosa família inglesa, que junto a seus amigos e agregados, especula as possibilidades de uma visita de barco ao farol na manhã seguinte, é conduzida da forma mais tocante possível








